English Woman's Journal - CIDH denuncia prisões clandestinas na Venezuela apesar de libertação de presos

CIDH denuncia prisões clandestinas na Venezuela apesar de libertação de presos


CIDH denuncia prisões clandestinas na Venezuela apesar de libertação de presos
CIDH denuncia prisões clandestinas na Venezuela apesar de libertação de presos / foto: RONALDO SCHEMIDT - AFP

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) possui informações de que a Venezuela continua operando "centros de detenção clandestinos", apesar da libertação de presos políticos, informou nesta quarta-feira (21) a relatora especial do organismo para o país, Gloria Monique de Mees.

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"A persistência dessas instalações evidencia a natureza estrutural das violações e a ausência de uma supervisão institucional efetiva", declarou a relatora perante o Conselho Permanente da OEA.

Apesar da soltura de presos políticos realizada pelo governo da presidente interina Delcy Rodríguez, a situação dos direitos humanos no país é alarmante, de acordo com a CIDH, que não consegue visitar a Venezuela desde 2002.

A relatora indicou que, segundo as informações em poder da CIDH, até 19 de janeiro haviam sido libertados 143 detidos políticos.

"A Comissão reitera a urgente necessidade de contar com informações transparentes, atualizadas e verificáveis sobre as condições sob as quais os presos políticos estão sendo libertados", acrescentou.

A Venezuela está sob "estado de comoção externa" decretado em 3 de janeiro, após a derrubada do presidente Nicolás Maduro, agora à espera de julgamento em Nova York junto com sua esposa por acusações de narcotráfico.

"A Comissão reitera seu pedido de informações detalhadas e atualizadas" sobre a aplicação desse decreto, "particularmente quanto ao número de pessoas detidas [...] e aos centros de detenção onde se encontram atualmente reclusas".

A pressão dos Estados Unidos após a chegada ao poder de Delcy Rodríguez, que era até então a vice-presidente, levou o governo a acordar essa libertação de presos, que familiares e grupos de defesa dos direitos humanos no país denunciam como extremamente lenta.

- 'Condições deploráveis' -

O Conselho Permanente da OEA solicitou o relatório à CIDH, órgão autônomo, diante da reviravolta política no país sul-americano.

A Venezuela deixou a OEA em abril de 2017, mas depois a Assembleia Nacional, nas mãos da oposição, rejeitou a decisão de Maduro.

Embora a organização com sede em Washington siga considerando o país como membro, Caracas deixou de participar de seus trabalhos.

O Conselho Permanente da organização, por sua vez, não reconheceu a reeleição de Maduro nas eleições presidenciais de 2024, resultado que a oposição denunciou como fraudulento e que também foi contestado pelos Estados Unidos e pela União Europeia.

Caracas rejeitou em 2017 e 2020 pedidos de visita de especialistas da CIDH.

"A Comissão tem recebido constantemente informações sobre condições de detenção deploráveis, práticas de tortura e maus-tratos a que são submetidas pessoas privadas de liberdade por razões políticas", acrescentou, por sua vez, Edgar Stuardo Ralón, relator da Comissão sobre os Direitos das Pessoas Privadas de Liberdade e para a Prevenção e o Combate à Tortura.

Desde 2014, ocorreram mais de 18.739 detenções políticas arbitrárias na Venezuela, apontou o relator.

A queda de Maduro — no poder desde 2013 e capturado neste mês em uma audaciosa operação militar dos Estados Unidos que incluiu bombardeios e dezenas de mortes — foi apresentada pelo presidente Donald Trump como o início de uma nova era para a Venezuela.

Mas Trump logo advertiu que o importante era garantir a estabilidade política do país e assegurar o acesso à exploração petrolífera para as multinacionais estrangeiras, sobretudo as americanas.

O presidente republicano voltou a felicitar nesta quarta-feira, no Fórum de Davos, o novo governo interino por sua cooperação.

A líder opositora María Corina Machado, que presenteou Trump com sua medalha do Prêmio Nobel da Paz, pediu que o americano pressione Caracas para libertar todos os prisioneiros.

"Não é possível falar em transição com repressão", declarou em Washington.

Ch.Reilly--EWJ