English Woman's Journal - Tarifas, ameaças, delações: o quebra-cabeças de Trump para pressionar o México

Tarifas, ameaças, delações: o quebra-cabeças de Trump para pressionar o México


Tarifas, ameaças, delações: o quebra-cabeças de Trump para pressionar o México
Tarifas, ameaças, delações: o quebra-cabeças de Trump para pressionar o México / foto: Alfredo ESTRELLA - AFP

A chegada aos Estados Unidos da família do traficante preso mexicano Ovidio Guzmán é a mais recente peça de um quebra-cabeças que revela a estratégia de Donald Trump para pressionar o México em várias frentes.

Alterar tamanho do texto:

Em 9 de maio, 17 parentes de Guzmán cruzaram a fronteira como parte de uma negociação na qual ele se declararia culpado para evitar um julgamento que poderia condená-lo à prisão perpétua como seu pai, o fundador do cartel de Sinaloa, Joaquín "Chapo" Guzmán.

O governo da presidente Claudia Sheinbaum, que confirmou o tratamento entre Guzmán e Washington, afirma que a família não era procurada pelas autoridades mexicanas.

No entanto, esse fato, suscitado em meio à sangrenta guerra interna do cartel, faz parte, segundo analistas, de um plano mais amplo de Trump para pressionar o México em diversos âmbitos: desde as tarifas até a ameaça de enviar tropas para matar os traficantes.

- Quais são as outras peças? -

Trump ameaça sistematicamente com tarifas o México e Canadá, seus parceiros no acordo de livre comércio T-MEC, acusando-os de tolerar a entrada de drogas e migrantes irregulares aos Estados Unidos.

Designou como terroristas seis carteis mexicanos, incluindo Sinaloa e Jalisco Nova Geração, os mais poderosos do país.

Também enviou dois navios de guerra ao Golfo do México e à costa oeste para tarefas de segurança fronteiriça, e acusou Sheinbaum de ter "medo" dos carteis depois que a presidente rejeitou sua oferta de enviar militares para combatê-los.

A "soberania é inviolável", respondeu Sheinbaum, que, apesar disso, assegura que Trump, com quem trocou sete telefonemas, foi respeitoso com o México.

Mas a pressão se estendeu à governadora oficialista do estado de Baja California, Marina del Pilar Ávila, cujo visto foi revogado por Washington.

Embora Ávila não enfrente investigações no México, a decisão alimentou versões na imprensa, como a ProPublica, que asseguram que Trump tem em sua mira vários políticos mexicanos para retirar seus vistos por supostos vínculos com o narcotráfico.

- O que Trump busca? -

Os analistas dizem que essas peças juntas mostram a “estratégia global” de Trump em relação ao México, o principal parceiro comercial dos Estados Unidos, com o qual compartilha uma fronteira de 3.100 km.

“Ela consiste em misturar tudo o que foi feito no passado, porque tudo isso foi feito de forma fragmentada, em diferentes momentos e com diferentes cartéis”, diz o consultor de segurança David Saucedo.

Ele cita o caso de Vicente Zambada “Vicentillo”, filho de Ismael “Mayo” Zambada (líder histórico do cartel de Sinaloa detido nos Estados Unidos), que foi testemunha protegida naquele país contra outros chefões do tráfico.

“Vamos ver se funciona bem, se de fato reduz o envio de drogas para os Estados Unidos e o consumo, que seriam os indicadores críticos de sucesso”, disse Saucedo.

Por outro lado, o ex-chefe de operações internacionais da agência antidrogas da DEA, Mike Vigil, acredita que isso é apenas “um show para intimidar o México”, já que Trump “não está falando em reduzir a demanda (por drogas) nos Estados Unidos”.

Nesse sentido, a estratégia do republicano busca se aproximar de seu eleitorado.

“Ele constrói uma ideia de uma fronteira que está em colapso, em crise, e que, portanto, é preciso tomar medidas para controlá-la”, diz Cecilia Farfán, chefe do Observatório da América do Norte da Iniciativa Global contra o Crime Organizado Transnacional.

- O que o México está fazendo? -

Em meio a essa pressão, o México aumentou as apreensões e prisões de drogas e extraditou 29 traficantes de drogas.

Sheinbaum também enviou 10.000 militares para a fronteira e recebeu migrantes deportados de várias nacionalidades, enquanto repetia como um mantra: “coordenação, sim; subordinação, não”.

K.Marshall--EWJ

Apresentou

Ciberataque 'extremamente preocupante' atinge a classe política da Alemanha

Altos funcionários alemães foram recentemente afetados por um ataque cibernético à plataforma de mensagens Signal, um incidente "extremamente preocupante" que lança dúvidas sobre a segurança das comunicações no Parlamento, disse um deputado à AFP nesta sexta-feira (24).

Charles III encara visita delicada aos EUA após tensões entre Trump e Starmer

O rei Charles III parte na segunda-feira (27) para os Estados Unidos, onde o espera um exercício de equilíbrio diplomático, na esperança de apaziguar as tensões entre Donald Trump e Keir Starmer, tendo como pano de fundo o caso Epstein, especialmente doloroso para a família real britânica.

Cinquenta anos após o Plano Condor, pesquisa em Londres busca respostas

"Nunca perdemos a esperança, mesmo nos momentos mais difíceis". A chilena Laura Elgueta Díaz compartilha com a AFP seu desejo de que um dia seja esclarecido o desaparecimento, há 50 anos, de seu irmão Luis, uma das centenas de vítimas do Plano Condor.

Soldado dos EUA acusado de apostar sobre queda de Maduro com informação confidencial

Um soldado americano foi acusado de fraude e outros crimes após suspeitas de que ganhou mais de 400.000 dólares em uma plataforma on-line, ao apostar na queda do líder deposto venezuelano Nicolás Maduro com informação confidencial, anunciou o Departamento de Justiça dos Estados Unidos na quinta-feira (23).

Alterar tamanho do texto: