English Woman's Journal - Anistia denuncia 'ataques' do governo Trump ao direito internacional

Anistia denuncia 'ataques' do governo Trump ao direito internacional


Anistia denuncia 'ataques' do governo Trump ao direito internacional
Anistia denuncia 'ataques' do governo Trump ao direito internacional / foto: BASHAR TALEB - AFP

O direito internacional sofreu "ataques frontais" dos Estados Unidos desde o retorno do presidente Donald Trump, denunciou Agnes Callamard, secretária-geral da Anistia Internacional (AI), que divulga nesta terça-feira (29) seu relatório anual.

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O segundo mandato de Trump, que completa 100 dias nesta semana, foi marcado por "uma onda de ataques frontais à obrigação de prestar contas em matéria de direitos internacionais, contra o direito internacional e contra a ONU", acusou Agnes, que pediu "resistência".

O novo governo americano congelou a ajuda internacional do país, reduziu o financiamento de organizações da ONU e realizou expulsões criticadas de presos para países da América Latina.

O relatório acusa potências como Estados Unidos, Rússia e China de "minar" as conquistas do direito internacional. "Forças de uma magnitude sem precedentes querem acabar com o ideal dos direitos humanos e buscam destruir um sistema internacional forjado no sangue e sofrimento da Segunda Guerra Mundial e do Holocausto", destaca Agnes no prefácio do relatório.

Embora o que chama de "ofensivas irresponsáveis e punitivas" aconteçam há anos, o retorno de Trump "só acelera" esse processo, denunciou a organização.

- 'Genocídio ao vivo' -

A AI também expressou indignação com os milhões de "vidas devastadas" pelos conflitos em Oriente Médio, Sudão e Ucrânia. "Governos poderosos bloquearam, em várias ocasiões, as tentativas de agir de forma significativa para pôr fim às atrocidades."

A organização mira, principalmente, nos países que impugnaram as decisões da Corte Internacional de Justiça contra Israel após a denúncia da África do Sul de "genocídio" contra os palestinos. Segundo a ONG, o mundo testemunha "um genocídio ao vivo" no território palestino, uma acusação rejeitada por Israel.

O relatório destaca que "nenhuma região se salvou da crise climática em 2024". "Na América do Sul, incêndios de proporção sem precedentes destruíram amplas áreas da Floresta Amazônica e colocaram em risco ecossistemas de países inteiros", lembrou Agnes.

Em sua análise global, no capítulo Discriminação e Violência de Gênero, a Anistia inclui Argentina, Chile e Porto Rico entre os países que "introduziram políticas, na lei ou na prática, que reduziram o acesso aos serviços de saúde sexual e reprodutiva".

No capítulo sobre liberdade de reunião, a AI destaca que "novas regulamentações restritivas sobre o direito ao protesto foram aprovadas ou propostas" em países como Argentina, Peru e Nicarágua.

No capítulo Discriminação Racial, a AI indica que, no continente americano, "ações das forças de ordem tiveram como alvo ou afetaram pessoas negras em países como Brasil, Equador e Estados Unidos".

- Continente americano -

Nas páginas relacionadas ao continente americano, a AI aponta que a liberdade de expressão foi ameaçada por ataques e perseguição à imprensa, e cita países como Brasil, Argentina, Colômbia, Cuba, El Salvador, Guatemala, México, Nicarágua, Paraguai, Uruguai e Venezuela.

Segundo o relatório, "várias fontes relataram cifras alarmantes de feminicídios na região, incluindo Brasil, Bolívia, Colômbia, Cuba, México, Paraguai, Peru, Porto Rico, Uruguai e Venezuela".

"Nem Cuba nem a República Dominicana tinham uma legislação que considerasse o feminicídio um crime específico. Já na Argentina, um feminicídio foi reportado a cada 33 horas. Apesar disso, o governo implementou cortes orçamentários nas políticas voltadas para a violência de gênero", ressalta o relatório.

A AI também destacou que "milhares de pessoas continuaram deixando seus países e se deslocando pela região devido à perseguição, insegurança e aos efeitos adversos das mudanças climáticas".

P.Mitchell--EWJ

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