English Woman's Journal - Nicarágua exige na CIJ que Alemanha deixe de fornecer armas a Israel

Nicarágua exige na CIJ que Alemanha deixe de fornecer armas a Israel


Nicarágua exige na CIJ que Alemanha deixe de fornecer armas a Israel
Nicarágua exige na CIJ que Alemanha deixe de fornecer armas a Israel / foto: Robin van Lonkhuijsen - Anp/AFP

A Nicarágua exigiu nesta segunda-feira (8) na Corte Internacional de Justiça (CIJ) que a Alemanha deixe de fornecer armas a Israel, e acusou o país europeu de cumplicidade no que chamou de genocídio de palestinos na Faixa de Gaza, o que Berlim negou com veemência.

Alterar tamanho do texto:

"A Alemanha era e é plenamente consciente do risco de que as armas que entregou e continua entregando a Israel poderiam ser utilizadas para cometer um genocídio", afirmou Alain Pellet, advogado da Nicarágua, no principal órgão jurisdicional da ONU. "É extremamente urgente que a Alemanha suspenda finalmente o fornecimento", completou.

A Nicarágua levou a Alemanha à CIJ para exigir que o tribunal imponha medidas de emergência e impedir que Berlim forneça armas e outros tipos de assistência a Israel.

Em um documento de 43 páginas, Manágua afirma que a Alemanha violou a Convenção da ONU sobre o Genocídio, de 1948, criada após o Holocausto.

"Ao enviar equipamentos militares e parar de financiar a UNRWA (Agência da ONU para os Refugiados palestinos), a Alemanha facilita o cometimento do genocídio", afirma o documento.

A Alemanha responderá na corte amanhã, mas já destacou que nega as acusações. "Nunca violamos a Convenção sobre o Genocídio nem o direito humanitário internacional, direta ou indiretamente", afirmou a principal advogada do país no caso, Tania von Uslar-Gleichen. "Pelo contrário, a Alemanha está comprometida com o respeito ao direito internacional e trabalhamos por isso em nível internacional", completou.

O movimento islamita palestino Hamas saudou a ação judicial da Nicarágua e convocou os países ocidentais a seguirem o exemplo, para encerrar a guerra em Gaza.

- 'Patético' -

Na audiência de hoje, Daniel Mueller, outro advogado de Manágua, afirmou que é "patético" que a Alemanha entregue armas ao governo israelense, ao mesmo tempo que fornece ajuda humanitária a Gaza.

"É, de fato, uma desculpa patética para as crianças, as mulheres e os homens palestinos prover ajuda humanitária, inclusive com lançamentos aéreos, por um lado, e fornecer os equipamentos militares que são usados para matá-los e aniquilá-los por outro", destacou Mueller.

O embaixador da Nicarágua nos Países Baixos, Carlos José Argüello Gómez, afirmou na CIJ que "a Alemanha parece incapaz de diferenciar entre autodefesa e genocídio".

No documento, Manágua destaca que "o não cumprimento alemão é ainda mais repreensível no que diz respeito a Israel, pois a Alemanha tem uma autoproclamada relação privilegiada com este país, o que lhe permitiria influenciar sua conduta".

A Nicarágua pediu à CIJ que imponha "medidas provisórias" de emergência enquanto avalia o caso.

- 'Reação apropriada' -

A CIJ foi criada para resolver disputas entre países e se tornou uma figura central na guerra entre Israel e o movimento islamista Hamas, iniciada com os ataques de 7 de outubro.

Em outro caso, a África do Sul acusou os israelenses de cometerem um genocídio em Gaza, o que Israel nega com firmeza. Nesse caso, a CIJ pediu a Israel que faça todo o possível para evitar ações genocidas e, recentemente, endureceu sua posição, ao ordenar medidas adicionais que obrigam Israel a aumentar o acesso à ajuda humanitária.

As decisões da corte são vinculantes, mas carecem de mecanismos de execução. A Nicarágua solicitou cinco medidas provisórias, incluindo que a Alemanha "suspenda imediatamente a ajuda a Israel, em particular a assistência militar". Também pediu à corte que ordene à Alemanha a "reverter a decisão de suspender o financiamento da UNRWA".

Em janeiro, a Alemanha suspendeu o financiamento à agência da ONU depois de Israel denunciar que funcionários da UNRWA participaram nos ataques cometidos pelo Hamas no sul de Israel em 7 de outubro. Berlim afirmou que suspendeu o financiamento durante a investigação do caso.

Em seu documento, a Nicarágua destaca que "seria compreensível" que a Alemanha apoiasse uma "reação apropriada" de Israel, seu aliado, aos ataques do Hamas em outubro. "Mas isso não pode representar uma desculpa para violar o direito internacional", acrescentou Manágua.

A guerra na Faixa de Gaza começou em 7 de outubro, quando o Hamas invadiu o sul de Israel e matou 1.170 pessoas, a maioria civis, segundo um balanço da AFP baseado em dados oficiais israelenses. Os combatentes palestinos também sequestraram 250 pessoas, das quais 129 ainda estão presas em Gaza, incluindo 34 que autoridades israelenses acreditam que foram mortas.

A ofensiva aérea e terrestre efetuada por Israel em resposta ao ataque deixou 33.175 mortos em Gaza, de acordo com o balanço mais recente do Ministério da Saúde do território palestino, que é governado pelo Hamas desde 2007.

R.Wilson--EWJ

Apresentou

Ciberataque 'extremamente preocupante' atinge a classe política da Alemanha

Altos funcionários alemães foram recentemente afetados por um ataque cibernético à plataforma de mensagens Signal, um incidente "extremamente preocupante" que lança dúvidas sobre a segurança das comunicações no Parlamento, disse um deputado à AFP nesta sexta-feira (24).

Charles III encara visita delicada aos EUA após tensões entre Trump e Starmer

O rei Charles III parte na segunda-feira (27) para os Estados Unidos, onde o espera um exercício de equilíbrio diplomático, na esperança de apaziguar as tensões entre Donald Trump e Keir Starmer, tendo como pano de fundo o caso Epstein, especialmente doloroso para a família real britânica.

Cinquenta anos após o Plano Condor, pesquisa em Londres busca respostas

"Nunca perdemos a esperança, mesmo nos momentos mais difíceis". A chilena Laura Elgueta Díaz compartilha com a AFP seu desejo de que um dia seja esclarecido o desaparecimento, há 50 anos, de seu irmão Luis, uma das centenas de vítimas do Plano Condor.

Soldado dos EUA acusado de apostar sobre queda de Maduro com informação confidencial

Um soldado americano foi acusado de fraude e outros crimes após suspeitas de que ganhou mais de 400.000 dólares em uma plataforma on-line, ao apostar na queda do líder deposto venezuelano Nicolás Maduro com informação confidencial, anunciou o Departamento de Justiça dos Estados Unidos na quinta-feira (23).

Alterar tamanho do texto: